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Entrevista com Donald West, canadense considereado maior expert em 'Miss World'

Donald West é canadense e reside em Vancouver. Ele é o criador e editor do site Pageantopolis, onde se encontram listas e participantes e fotos dos principais concursos de beleza do planeta. Historiador dos concursos, especialmente o Miss Mundo, Donald foi o autor de diversos textos sobre acontecimentos deste que é hoje o principal evento de beleza do planeta. No ano em que o Brasil celebra 50 anos de participação no Miss Mundo, ele conversou conosco sobre um pouco dessa história.

MMB - O Miss Mundo foi criado em 1951. Porque o Brasil começou a enviar candidatas a Londres somente em 1958?

Donald - Nos anos 1950 as distâncias eram grandes em todos os sentidos. A grande maioria das participantes do Miss Mundo naquela época provinha da Europa. A Venezuela foi o primeiro país sul-americano a participar e ganhar em 1955. O Brasil foi o segundo, três anos depois. Outro acontecimento que pode ter atrasado a participação brasileira e latina no Miss Mundo, foi o fato da Miss Mundo ser coroada em biquine já na sua primeira edição, em 1951, o que chocou a muitos, inclusive a Igreja Católica.

MMB - Nesses 50 anos, quais as 5 candidatas brasileiras que mais te impressionaram?

Donald - O meu 'top 5' de brasileiras é formado por Maria Isabel de Avellar Elias (1964), Lucia Petterle (Miss Mundo 1971), Madalena Sbaraini (1977), Cátia Pedrosa (1983) e Lara Brito (2003). São mulheres que além de lindas possuem aquele 'algo mais', um brilho próprio, que é tão importante em concursos de beleza.

MMB - E quem é a sua favorita entre elas?

Donald - Cátia Pedrosa, a Miss Brasil 1983 e terceira colocada no Miss Mundo. Sua beleza única e personalidade contagiante, fazem dela uma candidata absolutamente inesquecível. Poderia ter vencido em 1983.

MMB - Há algum fato marcante na história das brasileiras no Miss Mundo?

Donald - O Brasil nunca se involveu em escândalos no Miss Mundo, o que ao meu ver, é algo muito positivo. Todas elas foram excelentes embaixadoras no Miss Mundo.

MMB - Como estudioso deste e de outros concursos de beleza, você considera o Miss Mundo o maior evento de beleza do planeta?

Donald - Fora do continente americano não tenho dúvidas em relação a isso. É fato que até mesmo em países onde o Miss Universo tinha mais importância até o começo desse milênio, as vencedoras de concursos nacionais passaram a disputar o Miss Mundo, ao invés do Miss Universo. Índia e Filipinas são dois bons exemplos. No entanto, nas Américas, exceto nas ilhas de colonização britânica do Caribe, o Miss Universo ainda se sobresai ao Miss Mundo.

MMB - Quem é a sua Miss Mundo favorita?

Donald - Corinne Rottschaefer, a holandesa eleita em 1959. Ela tinha beleza, altura e presença. Magnífica!

MMB - Depois do falecimento do Sr. Eric Morley, em 2000, você acha que o concurso melhorou ou piorou nas mãos da Sra. Julia Morley?

Donald - O Sr. Morley manteve o formato do Miss Mundo inalterado por 50 anos. O Miss Mundo estava ultrapassado e a ponto de começar a perder fôlego. Julia Morley ousou ao criar e tentar novas alternativas, o que eu vejo como algo positivo. Algumas das inovações foram boas, outras nem tanto, mas hoje o Miss Mundo talvez seja o único grande concurso internacional com características próprias. Também me parece que na "era Julia" os resultados passaram a ser mais imprevisíveis, o que é ótimo, já que não existe mais o domínio de certos países. O Miss Mundo tornou-se com isso o mais democrático de todos os concursos, mostrando que beleza e talento podem de fato ser encontrados em qualquer lugar do planeta. Eu diria que o Miss Mundo melhorou, mas é uma opinião pessoal.

MMB - O Brasil espera um segundo título de Miss Mundo desde 1971. Que conselho você daria à vencedora de 2008 para ela vencer em Kiev, no dia 4 de outubro?

Donald - Aconselho que ela estude vídeos e fotos das últimas vencedoras do Miss Mundo, mulheres com uma característica em comum: beleza natural, sem exageros de cirurgias plásticas. A nova Miss Brasil deve vestir-se de forma discreta, não abusar na maquiagem, adotar um look natural. Se falar inglês, ainda melhor. Os jurados do Miss Mundo não se impressionam com os movimentos muito atrevidos e as caras e bocas que surtem efeito no Miss Universo. As "Barbies latinas" não têm se destacado no Miss Mundo. Resumo meu conselho para a brasileira em lembrar-se sempre que menos é mais.

MMB - Você é considerado hoje um grande 'expert' quando o assunto é Miss Mundo. De onde surgiu esta paixão?

Donald - Sou canadense, portanto na minha adolescência, nos anos 1960, só podia assistir o Miss Universo pela televisão. Acompanhava o Miss Mundo por reportagens em revistas e jornais, e ele sempre me chamou a atenção e intrigou. Quando a internet apareceu em 1995, percebi que havia muita informação sobre o Miss Universo, gerada pelos fãs latinos e norte-americanos. Decidi então começar a compartilhar com pessoas de todos os lugares informações sobre o Miss Mundo, criando o Pageantopolis e fornecendo material a outros sites, como o Beauty School e o Global Beauties. Espero ter tido sucesso, uma vez que o Miss Mundo é um concurso verdadeiramente espetacular, com uma história fascinante.

 
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Visite o site Pageantopolis de Donal West: www.pageantopolis.com

fotos (de cima para baixo):
Donald West; Cátia Pedrosa, Miss Mundo Brasil 1983; Corinne Rottschaefer, a Miss Mundo favorita do expert canadense;
Lúcia Petterle recebe retoque na maquiagem durante o Miss Mundo 1971, título que seria conquistado por ela.

Thank you, Donald!

 
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